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sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Cristofobia

Ouvimos falar com frequência de muçulmanos como vítimas de abuso no Ocidente e dos manifestantes da Primavera Árabe que lutam contra a tirania. Outra guerra completamente diferente está em curso – uma batalha ignorada, que tem custado milhares de vidas. Cristãos estão sendo mortos no mundo islâmico por causa de sua religião. É um genocídio crescente que deveria provocar um alarme em todo o mundo.

Uma avaliação imparcial de eventos recentes leva à conclusão de que a dimensão e a gravidade da islamofobia não são nada em comparação com a cristofobia sangrenta que atravessa atualmente países de maioria muçulmana de uma ponta do globo à outra. A conspiração silenciosa que cerca essa violenta expressão de intolerância religiosa precisa parar. Nada menos que o destino do cristianismo no mundo islâmico – e, em última instância, de todas as minorias religiosas nessa região – está em jogo.


Por causa de leis contra blasfêmia a assassinatos brutais, bombardeios, mutilações e incêndios em lugares sagrados, os cristãos de muitos países vivem com medo. Na Nigéria, muitos sofrem todas essas formas de perseguição. O país tem a maior minoria cristã (40%) em proporção ao número de habitantes (170 milhões) entre todos os países de maioria islâmica. Há anos, muçulmanos e cristãos vivem à beira de uma guerra civil. A Nigéria é o recordista em número de cristãos mortos em ataques violentos nos últimos anos (leia mais abaixo). A mais nova organização radical é o grupo Boko Haram, que significa “educação ocidental é sacrilégio” e tem como objetivo estabelecer a lei islâmica (charia) em toda a Nigéria. Com esse propósito, afirma que matará todos os cristãos do país.


Só em janeiro, o Boko Haram foi responsável por 54 mortes. Em 2011, seus membros mataram ao menos 510 pessoas e queimaram ou destruíram mais de 350 igrejas em dez Estados da região norte, de maioria muçulmana. Eles usam armas, bombas de gasolina e até facões, gritando “Allahu akbar” (“Deus é grande”) enquanto atacam cidadãos inocentes. Até agora, têm se concentrado em matar clérigos, políticos, estudantes, policiais e soldados cristãos, assim como líderes muçulmanos que condenam suas atitudes.


A cristofobia que infesta o Sudão assume uma forma diferente. O governo autoritário do norte, muçulmano sunita, atormenta há décadas as minorias cristãs e animistas do sul. O que muitas vezes é descrito como guerra civil é, na prática, perseguição constante do governo a minorias religiosas. Essa prática culminou no vergonhoso genocídio de Darfur. O presidente muçulmano do Sudão, Omar al-Bashir, foi indiciado pelo Tribunal Penal Internacional por três acusações de genocídio, mas a violência não terminou. A euforia dos cristãos pela semi-independência que Bashir concedeu ao Sudão do Sul, em julho do ano passado, já passou. No Estado do Cordofão do Sul, eles ainda estão sujeitos a bombardeios aéreos, assassinatos, sequestros de crianças e outras atrocidades. A ONU afirma que entre 53 mil e 75 mil civis inocentes foram deslocados de suas casas.

Os dois tipos de perseguição – realizados por grupos extragovernamentais ou por agentes do Estado – aconteceram simultaneamente no Egito pós-Primavera Árabe. Em 9 de outubro do ano passado, na região de Maspero, no Cairo, cristãos coptas marcharam em protesto contra uma onda de ataques muçulmanos – incêndios em igrejas, estupros, mutilações e assassinatos – que se seguiu à derrubada da ditadura de Hosni Mubarak. Os coptas representam cerca de 10% dos 83 milhões de egípcios. Durante o ato, as forças de segurança avançaram contra a multidão com seus caminhões e atiraram nos manifestantes, matando 24 pessoas e ferindo mais de 300. No fim do ano, mais de 200 mil coptas já haviam fugido de suas casas diante da expectativa de mais ataques. Com os muçulmanos no poder após as eleições legislativas, os temores parecem justificados.
O Egito não é o único país árabe que parece empenhado em acabar com a minoria cristã. Desde 2003, mais de 900 cristãos iraquianos (a maioria deles assírios) foram mortos por terroristas somente em Bagdá, e 70 igrejas foram queimadas. Milhares deixaram o país por causa da violência. A consequência foi a queda do número de cristãos para menos de 500 mil pessoas, metade da população registrada há dez anos. A Agência Assíria Internacional de Notícias, compreensivelmente, descreve a situação atual como um “genocídio incipiente ou limpeza étnica dos assírios no Iraque”.



Os 2,8 milhões de cristãos que moram no Paquistão representam apenas 1,4% da população de mais de 190 milhões. Como membros de um grupo tão pequeno, vivem com medo constante não só de terroristas islâmicos, mas também das leis draconianas do Paquistão contra a blasfêmia.

Casos como esse não são raros no Paquistão. As leis contra a blasfêmia são comumente usadas por muçulmanos criminosos e intolerantes para perseguir minorias religiosas. O ato de simplesmente declarar crença na Santíssima Trindade é considerado blasfêmia, pois contradiz as principais doutrinas teológicas islâmicas. Quando um grupo cristão é suspeito de desrespeitar essas leis, as consequências podem ser brutais. É só perguntar aos membros da entidade assistencial cristã World Vision. Seus escritórios foram atacados em 2010 por dez homens armados com granadas. Seis pessoas morreram e quatro ficaram feridas. Um grupo muçulmano militante assumiu a responsabilidade pelo ataque, sob a justificativa de que a World Vision estava tentando subverter o islã – na verdade, estava ajudando os sobreviventes de um grande terremoto.
Nem mesmo a Indonésia, muitas vezes retratada como o país de maioria muçulmana mais tolerante, democrático e moderno do mundo, está imune às ondas de cristofobia. Segundo dados divulgados pelo jornal americano The Christian Post, o número de incidentes violentos cometidos contra minorias religiosas (7% da população, dos quais a maioria é cristã) aumentou quase 40% entre 2010 e 2011.

A litania de sofrimentos pode ser ampliada. No Irã, dezenas de cristãos foram presos por ousar fazer cultos fora do sistema de igrejas sancionado pelo governo. A Arábia Saudita merece ser colocada numa categoria própria. Apesar de mais de 1 milhão de cristãos morarem no país como trabalhadores estrangeiros, igrejas e até a prática privada de oração cristã são proibidas; para impor essas restrições totalitárias, a polícia religiosa frequentemente invade casas de cristãos e os acusa de blasfêmia em tribunais onde o testemunho deles tem menos importância jurídica que o de um muçulmano. Mesmo na Etiópia, onde os cristãos são maioria, igrejas incendiadas por membros da minoria muçulmana tornaram-se um problema grave.

Deveria ficar claro, a partir desse catálogo de atrocidades, que a violência contra os cristãos é um problema importante e pouco denunciado. Não, a violência não é planejada centralmente ou coordenada por alguma agência islâmica internacional. Nesse sentido, a guerra mundial contra os cristãos não é nem um pouco uma guerra tradicional. É uma expressão espontânea de uma animosidade anticristã por parte dos muçulmanos que transcende cultura, região e etnia.
Nina Shea, diretora do Centro pela Liberdade Religiosa do Instituto Hudson, de Washington, disse numa entrevista para a revista Newsweek que as minorias cristãs em muitos países de maioria muçulmana “perderam a proteção de suas sociedades”. Isso é especialmente verdade em países com movimentos islâmicos radicais em ascensão. Nesses lugares, justiceiros muitas vezes sentem que podem agir com impunidade, e a falta de ação do governo frequentemente comprova isso. A antiga ideia dos turcos otomanos de que não muçulmanos em sociedades muçulmanas merecem proteção (ainda que como cidadãos de segunda classe) praticamente desapareceu em grandes porções do mundo islâmico. O resultado é derramamento de sangue e opressão.

Texto da revista Época, 28 de maio de 2012. - modificado.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

"Ein Reich, Ein Volk, Ein Führer": O TOTALITARISMO E SUAS FACES


"A massificação nada mais é 
Do que um veneno:
Lenta, ela consome a liberdade do indivíduo

Deturpa de seus direitos
E por fim o acorrenta
Indefeso no muro, ele é incorporado"
                                                                                       Pedro Mendes

Grupo:

Alberto Ayres (nº1)
Alexandre Sirin (nº2)
Felipe Rinaldi (nº10)
Gabriel Pedroso (nº11)
Pedro Mendes (nº30)
3º José Saramago


João Pedro (nº23)
3º Jorge Amado

sábado, 15 de setembro de 2012

A Medicina e a Guerra



Entre 1900 e 1914, a medicina tinha mudado muito pouco. Na Inglaterra, o controle estatal da medicina acabava de ser instituído, com a introdução do Seguro Nacional de Saúde para homens com rendimentos inferiores a 2 libras por semana. Em comparação, desde o século anterior, existia um esquema de seguro médico compulsório na Alemanha. Na Grã-Bretanha, os que possuíam rendas superiores era bem cuidados em consultórios ou clínicas particulares. Muitos dos pacientes mais pobres, entretanto só podiam arcar com visitas ocasionais aos médicos, e os internamentos se faziam em hospitais locais, muitos deles ainda mantendo as tradições das instituições de caridade. A ciência praticamente ainda não tocara na medicina. Os raios X, por exemplo, só eram empregados ocasionalmente, não havia antibióticos, e o tratamento ainda mantinha a tradição da flora medicinal. As transfusões de sangue eram novidade. Não havia ‘’especialistas’’ e os médicos conhecidos eram chamados na qualidade de ‘’consultores’’, esperando que eles cobrissem todo o espectro de doenças. 

Ferido é levado a hospital em ambulância a motor.
Quando estourou a guerra, as disponibilidades para o atendimento dos feridos eram bastante inadequadas. Havia apenas 11 000 leitos de hospital em todo o império para uma guerra que fez 6 milhões de doentes e deixou 2 milhões de feridos no Império Britânico. Os problemas ocorriam com muita frequência, assim como os erros, tais como o não envio de dentistas junto com a Força Expedicionária Britânica na França. Na Inglaterra, a cooperação dos profissionais de medicina foi tal que não foi necessário nenhum alistamento compulsório até 1916, e as mulheres proporcionavam uma assistência médica voluntária extremamente eficiente. No fim da guerra, o Serviço Médico Inglês contava com 144 000 membros e com 637 000 leitos de hospital.
As balas de alta velocidade e os estilhaços produziam ferimentos graves. Enquanto os soldados jaziam nos campos franceses, com frequência suas feridas se infeccionavam, ocorrendo gangrena e tétano. Somente após dois anos se tornou evidente que o melhor tratamento consistia em transferir rapidamente as baixas para hospitais e extirpar os tecidos mortos. O raio X de ossos tornou-se usual. A cirurgia dos ossos desenvolveu-se como um ramo altamente especializado. Apesar dos capacetes de aço, 10% dos ferimentos eram na cabeça. A cirurgia dos olhos, da face, do nariz e da garganta, juntamente com a cirurgia do cérebro e a plástica, desenvolveu-se rapidamente sob o estímulo da luta, e muitos desses cirurgiões se tornaram, depois, ‘’especialistas’’. A cirurgia abdominal avançou pouco. As infecções matavam mais da metade dos atingidos por bala no estômago. Muitas vidas teriam sido salvas se tivesse sido previsto um serviço de transfusões, mas, por mais surpreendente que possa parecer, isto não foi feito.

Feridos alemães, em um castelo transformado em hospital, fazem exercícios físicos destinados a reensiná-los a andar.

Como nas guerras anteriores, as doenças causavam mais baixas que os ataques do inimigo. Na guerra sul-africana, por exemplo, esta proporção foi de quinze para uma. Na Primeira Guerra Mundial, o número de baixas ocorridas fora de combate foi reduzido para dois doentes para cada ferido, sobretudo graças ao controle das doenças causadas por água contaminada (cólera, febre tifoide e disenteria), prevenidas com a cloração da água potável. Ao mesmo tempo, começara a imunização contra tifo. As moléstias causadas por insetos continuaram importantes nas frentes do Mediterrâneo e dos trópicos. Houve 1 milhão de mortes nos Bálcãs devidas ao tifo propagado pelo piolho. Na África oriental alemã, mais da metade das forças se encontrava constantemente prostrada pela malária. Isso contrasta de maneira marcante com as condições reinantes na Segunda Guerra Mundial, após a descoberta do DDT (inseticida eficiente no combate às doenças transmitidas por insetos).

Caricatura inglesa: ''O invasor secreto'' - a doença - que matava mais que os combates. Durante a guerra, a cólera e as doenças originadas pela água infectada foram, em parte, controladas.

O público inglês ficou chocado ao descobrir que um em cada vinte soldados era recolhido ao hospital para tratamento de doenças venéreas. No entanto, essa taxa não era mais elevada do que a incidência geral na população antes da guerra, e metade dos casos já se encontrava infectada antes de abandonar o país. Lorde Kitchener tinha escrito um panfleto e distribuído a todos os soldados da Força Expedicionária, encorajando a abstinência, mas, uma vez na França, as tropas frequentavam as maisons de tolérance (bordéis oficialmente reconhecidos) e, no Havre, sabe-se que 171 000 homens visitaram as casas de uma única rua, durante um ano. Em 1918, a forte comoção pública, na Inglaterra, levou ao fechamento desses bordéis. O tratamento de doenças venéreas era primitivo e, frequentemente, transmitia-se a hepatite através de instrumentos não esterilizados. Uma consequência posterior foi a introdução de programas de erradicação de doenças venéreas nos Estados Unidos.
A guerra introduziu muitos problemas médicos novos. Entre os mais complicados, os distúrbios psiquiátricos. O esforços, a tensão e a exaustão produziram o ‘’choque de bomba’’ na frente. Os soldados acometidos desse mal frequentemente tinham sofrido pesados bombardeios nas trincheiras, mas somente um quinto tinha participado, efetivamente, de uma explosão. No fim do primeiro ano de guerra, 10% dos oficiais e 5% dos soldados admitidos em um hospital de Bolonha foram enviados de volta para a Inglaterra sofrendo de ‘’choque de bomba’’. Foram convocados psiquiatras para ajudar as tropas aliadas mais atingidas e, em 1917, 92% desses pacientes tinham retomado o serviço. O sucesso do tratamento não só resultou no desaparecimento gradual do ‘’choque do bomba’’, enquanto causa importante de invalidez, como obteve um reconhecimento geral da importância da psiquiatria. A relação entre deserção no fronte e os efeitos no ‘’choque de bomba’’ causava complicações: a deserção era punida com fuzilamento, mas, na verdade, 89% dos que foram condenados à morte receberam o diagnóstico de ‘’choque de bomba’’ e, como os outros, foram para hospitais especiais. Em 1921, ainda havia 65 000 homens recebendo pensões por causa de ‘’choque de bomba’’. Também apareceu outra doença nova: a ‘’febre das trincheiras’’. Tinha muito em comum com uma forte gripe. Sir David Bruce realizou experiências com voluntários, em um hospital de Londres, e encontrou um fator nos excrementos do piolho, que era a causa da doença.

Feridos de um hospital especial para soldados coloniais franceses sendo condecorados por sua coragem sob o fogo do inimigo.
A guerra de gases acrescentou, subitamente, um total de 185 000 vítimas à carga já pesada dos hospitais. Pelo feitos dos gases 9 000 morreram. Estes queimavam a pele ou afetavam os pulmões e os condutos respiratórios, cerca de uma hora após terem sido inalados. A pneumonia ou o fluido nos pulmões provocava a morte ou a destruição permanente do tecido pulmonar. A guerra química estimulou uma enorme quantidade de pesquisas, que aumentaram os conhecimentos da bioquímica e farmacologia. Muitas drogas novas foram descobertas, inclusive o iodeto de bismuto emético, uma das formas mais poderosas de combate à disenteria amébica. A introdução dos vôos fez com que se estimulassem os estudos das funções do coração e dos pulmões. Produziu-se o oxigênio líquido, depois usando em anestesia.
No século passado, a Alemanha tinha dado a maior contribuição para a medicina e a cirurgia, mas a guerra modificou isto. A desilusão da derrota, acrescida da atração financeira do exército profissional privado, impediu a recuperação da medicina alemã, e muitos médicos chegaram mesmo a emigrar. Na Inglaterra os especialistas deram novo impulso à medicina, enquanto, nos Estados Unidos, as equipes médicas se tornaram comuns, por causa do sucesso de unidades desse tipo durante a guerra.
Acima de tudo, a luta armada forçou a medicina a encarar novos problemas que só poderiam ser resolvidos com métodos científicos, e com isso produziu a fusão da Ciência e da Medicina o que transformou a vida nos cinquenta anos seguintes. 

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

A invasão Anglo Americana ao Iraque e suas consequências



Após a transferência do governo do Iraque para a administração provisória nomeada pela ONU, em junho de 2004, os EUA, liderados por George W. Bush, deixaram, aos olhos da opinião pública mundial, a forte impressão de que já vão tarde.

Iniciada em março de 2003, a ocupação anglo-americana do Iraque foi uma verdadeira comédia de erros, com direito à ressurreição dos fantasmas do Vietnã e a uma queda vertiginosa da aprovação do ataque pelo próprio público norte-americano. Três motivos ajudam a explicar o descrédito por que passaram os EUA nos momentos finais da guerra, e consolidado no final de junho, quando o xeque-presidente Ghazi Ajil al-Yawar assumiu o controle político do país.


Em primeiro lugar, o atropelo com que a decisão de atacar o Iraque foi tomada pela coalizão EUA-Inglaterra, apoiada na alegação, ainda não comprovada, de que Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa. Para não mencionar que essa iniciativa passou por cima daquela que, teoricamente, seria a instância mundial maior na deliberação desse tipo de operação: o Conselho de Segurança da ONU.

Além disso, em meados de 2004, jornais do mundo inteiro dedicaram suas manchetes às notícias de que havia sido descoberta a prática de tortura na prisão de Abu-Ghraib, destino dos iraquianos presos pelas tropas americanas. Ironicamente, era lá que Saddam Hussein executava cerca de 6000 presos por ano, com requintes de crueldade.

Por último, para tornar ainda mais melancólica a retirada política dos EUA do Iraque - a ocupação militar continua até dezembro de 2005 -, a comissão que investiga os atentados de 11 de setembro de 2001 chegou à conclusão de que não há "provas confiáveis" de ligação entre Saddam e a rede terrorista Al Qaeda. Essa afirmação demole a segunda justificativa americana para os ataques, isto é, a alegação de que eles faziam parte de sua campanha global anti-terror.



Jovem iraquiano encanta o mundo com a sua voz


Emmanuel Kelly naturalizado cidadão australiano, vítima da guerra — que o deixou mutilado — participa de reality show (X Factor, uma espécie deAmerican Idol) na Austrália, e encanta com sua voz e sua história.
E cantando Imagine, de John Lennon.
Emmanuel Kelly, nasceu no Iraque e, ainda bebê, sem documento algum, foi encontrado por freiras ocidentais junto com o irmão, Ahmed Mustafa, em uma zona de guerra após a invasão anglo-americana do país, em 2002.
Ambos apresentavam graves deficiências físicas — Ahmed Mustafa sofreu amputação em parte dos quatro membros, Emmanuel perdeu parte dos dois braços e uma perna,  — "A heroína" que muito se esforçou por lhes mudar a vida, contou Emmanuel à televisão australiana, ia só custear as intervenções cirúrgicas que os irmãos precisavam para minorar as deficiências físicas, ainda hoje visíveis. "Foi como se visse um anjo, quando a minha mãe Moira Kelly entrou no orfanato", contou.  Moira Kelly é uma professora australiana militante de causas humanitárias e dirigente da fundação de apoio a crianças órfãs ‘’Childrens First’’( crianças, primeiro).

Apesar de ter sido eliminado do reality show por ter-se esquecido de parte da canção que apresentava, Emmanuel tornou-se popular na Austrália e um fenômeno na internet em todo o mundo, tendo um de seus vídeos mais de 9 milhões de acessos.

Emmanuel Kelly (centro), com seu irmão Ahmad e a mãe adotiva, Moira